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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

RELATO – Aroldo de Meira

Nasci em uma família humilde de 12 irmãos, 5 homens e 7 mulheres, sou o sexto filho a nascer. Com 6 anos já ajudava meu pai na roça e aos 7anos minha mãe me matriculou na Escola Estadual Orestes Guimarães,
em São Bento do Sul Sc.
Foi um dia muito esperado. Como minha mãe não tinha dinheiro para comprar os materiais, a escola doava aos alunos carentes. Minha pasta de carregar os materiais era feito de pano, minha mãe que fazia. A caminhada era longa até a escola, dava uns 2 km mais ou menos, de pé no chão e de calça curta lá ia eu para a escola. Meus pés eram cheio de calos e rachaduras, devido ao frio, pois ia descalço mesmo no inverno, muitas vezes com geada. Ficava muito envergonhado por estar descalço, tinha mais outros meninos que iam escalços. As brincadeiras eram muito legais, pega pega, esconde esconde etc..etc... Quando estava no 2º ano, uma passagem me emocionou, era o dia da bandeira e eu estava escalado par dizer uma poesia lá na frente.
Estava com vergonha, pois não tinha calçado, foi ai que um menino, seu nome éra Pedro ele tirou o seu conga azul e me emprestou, fiquei muito feliz e fui fazer a minha apresentação. Tinha uma coisa gostosa que fazíamos, as professoras escalava vários alunos e colocava em fila indiana e lá ai nós para o Buschle, uma grande panificadora para buscar a cuca que era feito para servir na merenda escolar, era uma delícia.
Mesmo com todas as dificuldades, eu me empenhava para tirar boas notas e passar de ano.Lembro que, em Santa Catarina a média escolar era 7, não sei se ainda continua. Lembro bem da Dna. Zeneide a diretora da escola, ela não era brincadeira, varias vezes me deixou de castigo na sala que hoje é a secretaria. Eu era meio levado, às vezes precisava de uns corretivos. Fiz até a 4º ano nesta escola, depois fui para o Colégio Estadual São Bento onde terminei o 1º grau. Agradeço de coração a todos os educadores, e também as serventes e cozinheiras que faziam toda a limpeza e as refeições de nossa escola. Muito Obrigado.
Nesta época eu tinha 11 para 12 anos e trabalhava cavando poço de água, acordava 5 horas da manhã e andava a pé 6 km até o trabalho, muitas vezes descia até 15 metros para cavar. Servi o quartel militar e fui Morar na cidade de Curitiba em 1979, onde comecei minha vida de casado. Passei fome em uma grande metrópole, fiquei 3 dias sem comer pois tinha vergonha de pedir algo para comer e ser tratado de vagabundo e preguiçoso. Comecei a trabalhar depois de 4 meses que estava em Curitiba em uma loja que vendia
calçados. Na hora do almoço saia e sentava em um banco da praça que ficava próximo a empresa esperando a hora passar, pois não tinha dinheiro para comer e nessa época a empresa não dava tik alimentação. Saia do trabalho direto pra escola, muitas vezes ficava próximo a cantina pra sentir o cheirinho do cachorro quente que eles vendiam, esse cheiro parecia saciar a minha fome. Ficava na escola até ás 22:20hrs estudando e depois ia para casa a pé. Acordava cedo e retornava para o trabalho. Um dia recebi o convite do meu chefe para almoçar, quase nem acreditei, fomos a um Buffet, enchi o meu prato com tudo que tinha direito. Meu chefe olhou pro meu prato e indagou: Parece que faz três dia que você não come...Contei toda historia para ele, disse que deveria ter falado antes. Mas como eu tinha começado a pouco tempo, fiquei com receio de pedir algum adiantamento e pudesse comprometer o meu emprego.
Conheci o Budismo 17/04/1983... Participei do Festival em 1984, na cidade de São Pulo, foi com grande emoção poder presenciar aquele maravilhoso espetáculo. Estava desempregado e morando de aluguel em uma casinha, meia água. Minha primeira filha filha nasceu e eu não podia pagar o aluguel, fiquei 5 meses sem pagar e podíamos ser despejados a qualquer momento. Desesperado não sabia para onde ir, comecei a procurar algum lugar para morar e encontramos uma casa quase abandonada. Volte lá Com minha filha nos braços e minha esposa, encontramos um rapaz morando nela, mas ele ia sair da casa e me pediu cem cruzeiros novos para ficar com o direito de ocupar a casa, acho que era cruzeiro naquela época, isso mesmo. Lembro-me bem como se fosse hoje, a angustia e ao mesmo tempo a alegria de ter encontrado essa casa.
Consegui o dinheiro com meu cunhado e entramos na casa que na verdade já era abandonada. O rapaz que estava morando nela já tinha ocupado, pois o antigo dono tinha abandonado porque não podia pagar as parcelas. Ficamos morando de graça por um ano... a alegria estava acabando a Caixa econômica fez Leilão e tínhamos que sair... Decidi não sai da casa e aumentei o Daimoku fazia 7 horas diárias eu e minha esposa. Ai o negócio ficou mais complicado, recebi a visita de um oficial de justiça. Tinha que assinar a desocupação da
casa, falei pra ele que não assinaria, ele ficou muito bravo e disse que viria com a polícia, falei que podia vir.
Passou 30 dias e recebi outro oficial de justiça, não assinei de novo, ele disse que teria 15 dias para sair.
Aumentei o daimoku e fui atrás de uma solução. Parece místico, mas em 10 dias comprei a casa financiada em nome de um amigo do meu cunhado. Financiei em 10 anos e todo esse tempo ela ficou em nome de uma pessoa que mal tinha conhecido. Minha esposa fazia daimoku todos os dias pela proteção dele, pois ele era caminheiro e vivia na estrada. Moradia resolvida, agora a parte financeira que ia de mal a pior tinha dia que comia o almoço e a janta... Não tinha.
Cansamos de comer caldinho de feijão com farinha de mandioca e só. O leite que conseguia para minha filha diluía com água para render mais. Logo em seguida nasce à segunda filha e a luta continuava, eu e minha esposa fazíamos bastante daimoku. Mesmo com todas dificuldades, muitas vezes sai da minha casa com dinheiro de uma passagem, ia de ônibus ou voltava de ônibus para ensinar o gongyo na casa dos membros... Eu cheguei a fazer daimoku à noite inteira até amanhecer. Nasce a minha filha casula que hoje tem 27 anos, nasceu com pouco peso e ficou 15 dias na incubadora, até ganhar peso. Tinha bronquite e varias vezes levei ela para o hospital quase desmaiado com crise aguda. Muitas noites passava acordado refletindo e procurando entender porque estávamos passando por tudo aquilo. 
Hoje tenho certeza de que não há resultados sem luta e que as dificuldades só me deram força para continuar, que a vitória só é conquistada com grandes desafios e bastante Daimoku. Troquei meu oratório e este ano em dezembro 2012 recebi meu Gohonzon especial. Comecei em 2012 com desafio de fazer no mínimo 1 uma hora de daimoku diário. Hoje 08 de Dezembro de 2017 estou cumprindo com o meu Objetivo.

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